Vamos conversar sobre o TEA…

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social. O termo “espectro” é usado porque as manifestações do autismo variam amplamente de pessoa para pessoa, tanto em intensidade quanto em natureza. Algumas pessoas podem ter desafios severos na comunicação verbal e não verbal, enquanto outras podem ser altamente funcionais em determinados contextos, mas ainda assim apresentar dificuldades sociais e comportamentais.
Critérios Clínicos para o Diagnóstico
O diagnóstico de TEA é baseado em critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que atualmente define dois domínios principais:
1. Dificuldades persistentes na comunicação e interação social – como dificuldades em iniciar e manter conversas, interpretar gestos ou expressões faciais e fazer amizades adequadas para a idade.
2. Comportamentos repetitivos e interesses restritos – como movimentos repetitivos, aderência rígida a rotinas, interesse intenso por determinados objetos ou tópicos e respostas sensoriais atípicas, como hipersensibilidade ao som ou à luz.
Esses sintomas devem estar presentes desde a primeira infância, embora possam se manifestar de forma mais evidente à medida que a demanda social aumenta. Também é importante que essas dificuldades prejudiquem significativamente o funcionamento diário da pessoa.
Idade para o Diagnóstico
O TEA pode ser identificado em crianças muito pequenas, às vezes até antes dos dois anos, especialmente quando os sinais são claros. No entanto, não há uma idade específica para o diagnóstico. O mais comum é que os sintomas se tornem evidentes entre os 18 meses e os três anos de idade, quando se espera que as habilidades sociais e de comunicação estejam se desenvolvendo. Alguns indivíduos, porém, podem não ser diagnosticados até a idade escolar ou até mesmo na adolescência, especialmente se os sintomas forem mais sutis.
Quem Pode Dar o Diagnóstico?
O diagnóstico de TEA geralmente é feito por profissionais de saúde mental e neurodesenvolvimento, como psiquiatras infantis, neuropediatras, psicólogos especializados em neuropsicologia, ou pediatras com formação em desenvolvimento infantil. Em muitos casos, uma equipe multidisciplinar está envolvida, incluindo terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, para garantir uma avaliação abrangente das diversas áreas do desenvolvimento.
Primeiros Passos após o Diagnóstico
Receber o diagnóstico de autismo pode ser um momento emocionalmente desafiador para as famílias. A seguir são apresentadas sugestões quanto a tomada de decisão desse momento para a família:
1. Educação e Informação: O primeiro passo é buscar entender o que o diagnóstico significa para o desenvolvimento da criança. Participar de grupos de apoio, conversar com profissionais especializados e procurar fontes confiáveis é fundamental para ajudar a família a se familiarizar com o que é o TEA e como isso pode impactar no dia a dia.
2. Montar uma Equipe Multidisciplinar: A intervenção precoce é um dos fatores mais importantes para melhorar o desenvolvimento das crianças com autismo. Os pais devem procurar montar uma equipe de especialistas, que pode incluir fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos especialistas em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), além do acompanhamento médico contínuo.
3. A equipe deve elaborar e implementar um Plano de Ensino Individualizado (PEI): Cada criança tem necessidades específicas. Portanto, o ideal é desenvolver um plano de intervenção baseado nas particularidades da criança. Esse plano deve incluir metas de curto e longo prazo, focadas no desenvolvimento de habilidades sociais, de comunicação e de autonomia. A equipe de psicologia especialista na Análise do Comportamento Aplicada será a responsável pela elaboração, implementação e acompanhamento do PEI.
4. Apoio Emocional e Familiar: O diagnóstico pode impactar a dinâmica familiar, por isso é fundamental que os pais e cuidadores também busquem apoio emocional. Participar de grupos de apoio ou fazer terapia individual pode ajudar os pais a lidarem com as demandas emocionais do cuidado, além de criar uma rede de suporte que será de extrema importância no processo de intervenção.
É de extrema importância que nesse processo de desenvolvimento de seu filho você esteja próximo a equipe de profissionais e participe dessa construção conjunta e diária que é o processo de intervenção. Quando todos estamos envolvidos e dedicados à aquisição dos alvos comportamentais a percepção dos ganhos passam a ser mais presentes e favorecemos a generalização das habilidades aprendidas.
Referências
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
World Health Organization. (2019). ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics. World Health Organization.
Higgins, A., & McKiernan, M. (2019). An exploration of the role of the multidisciplinary team in the assessment and diagnosis of autism spectrum disorder. Journal of Interprofessional Care, 33(3), 323-325.
Schmidt, M. T., & Sutherland, S. (2018). *Parental Involvement in Early Intervention Programs for Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review. Journal of Early Intervention, 40(2), 101-119.

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