Abaixo seguem algumas sugestões de oportunidades que podem favorecer o ensino de habilidades referentes à Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).
1. “Jogo do chefe das emoções”: Aqui, a criança aprende a reconhecer e nomear suas emoções, entendendo que elas não precisam controlar tudo. O terapeuta pode criar um jogo de “quem está no comando”, onde diferentes emoções (como tristeza, raiva, alegria) são representadas por personagens ou cartas. A criança pratica ser “chefe” dessas emoções, escolhendo como responder a elas, em vez de deixar que as emoções controlem suas ações. Isso ajuda a trabalhar o conceito de aceitação, reconhecendo as emoções sem lutar contra elas.
2. Histórias com valores: A ACT tem um foco importante em valores, e com crianças, isso pode ser explorado através de histórias que mostram personagens tomando decisões com base no que é importante para eles. Um programa de ensino poderia envolver contar histórias personalizadas, nas quais o personagem enfrenta desafios, mas faz escolhas baseadas em coisas como “amizade”, “bondade” ou “coragem”. Depois, a criança pode identificar esses valores e ser incentivada a falar sobre o que é importante para ela.
3. “Jogo da Onda” para aceitação: Uma forma lúdica de ensinar a aceitação é usar o “Jogo da Onda”, onde as emoções são comparadas a ondas do mar. As ondas vêm e vão, e a criança é ensinada a surfar ou passar por essas ondas em vez de lutar contra elas. Durante o jogo, o terapeuta pode usar exercícios de respiração ou relaxamento para ajudar a criança a “surfar” as emoções mais difíceis, mostrando que sentimentos vêm e vão naturalmente, mas não precisam impedir a ação.
4. Mindfulness infantil com brinquedos: Incorporar práticas simples de mindfulness é muito útil na ACT. Por exemplo, um “exercício do bichinho de pelúcia” pode ser feito, onde a criança coloca um bichinho em sua barriga e observa como ele se move com a respiração. Isso ajuda a ensinar presença e foco no momento, habilidades-chave para a ACT. As sessões podem incluir breves momentos onde a criança pratica ficar atenta ao que está acontecendo ao redor dela, como sons ou sensações, sem julgamento.
5. Atividades de flexibilidade psicológica: Para promover flexibilidade, um jogo como o “Jogo da Troca Rápida” pode ser útil. Nele, a criança é incentivada a lidar com mudanças rápidas durante a brincadeira. Por exemplo, a cada poucos minutos, a regra do jogo muda, e a criança tem que adaptar seu comportamento. Isso ajuda a reduzir a rigidez cognitiva e a mostrar que ela pode ser flexível diante de mudanças inesperadas, uma habilidade muito importante para o desenvolvimento atípico.
Esses programas de ensino podem ser adaptados conforme a idade e o desenvolvimento da criança, sempre buscando tornar o processo terapêutico divertido e acessível. O uso de personagens, histórias, jogos e brinquedos facilita a compreensão dos conceitos de aceitação, flexibilidade e valores, que são centrais na ACT.
Referências
Hayes, S. C., & Hofmann, S. G. (2018). The third wave of cognitive behavioral therapy and the rise of pluralism. World Psychiatry, 17(2), 123-124.
Sandoz, E. K., Wilson, K. G., & Kassan, A. (2013). A pilot study of an Acceptance and Commitment Therapy program for parents of children with autism. Behavior Modification, 37(4), 496-516.
Doll, B., & Cummings, J. A. (2015). Mindfulness-based interventions for youth: A review of the literature. Journal of Child and Family Studies, 24(1), 18-31.


